Rick Chapman Está Na Procura De Estupidez

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Por Joel Spolsky da Fog Creek Software
Sexta-feira, 01 de Agosto de 2003
Artigo original: Rick Chapman is In Search of Stupidity
Traduzido por: Emerson Seiti Takahashi

Artigo

(Este é o prefácio para o novo livro de Rick Chapman, In Search of Stupidity).

Em toda empresa de alta tecnologia que eu conheço, há uma guerra acontecendo, entre os nerds e os executivos.

Antes de você começar lendo este excelente novo livro cheio de propaganda do mago de marketing de software e über-executivo Rick Chapman, deixe-me ter um momento para te dizer o que os nerds pensam.

Brinque junto comigo por um minuto, sim?

Por favor imagine o mais estereotípico pálido idiota morador-de-linha-de-comando-Linux leitor-do-slashdot, jogador-de-vídeo-game, comedor-de-comida-chinesa, bebedor-de-Jolt-Cola. Já que ele é apenas um estereótipo, você deveria estar livre para imaginar um baixinho ou um tipo de camarada gordo, mas nos dois casos isto não é o tipo de pessoa que joga futebol com seus colegas de escola do segundo grau quando ele visita a mãe para o Dia de Ações de Graça. Também, já que ele é um estereótipo, eu não devo fazer desculpas complicadas para fazer ele um ele.

Isto é o que nosso programador estereotípico pensa: “A Microsoft faz produtos inferiores, mas eles têm um marketing superior, então todos compram suas coisas”.

Pergunte a ele o que ele acha sobre o pessoal de marketing de sua própria empresa. “Eles são realmente estúpidos. Ontem eu entrei em uma grande discussão com essa estúpida moça das vendas na sala de descanso e após dez minutos era totalmente claro que ela não tinha nenhuma idéia da diferença entre 802.11a e 802.11b. Duh!

O que o pessoal do marketing faz, jovem nerd? “Eu não sei. Eles jogam golfe com os clientes ou algo assim, quando eles não estão me fazendo corrigir suas folhas de especificações. Se fosse por mim eu despediria todos eles.

Um bom companheiro chamado Jeffrey Tarter costumava publicar uma lista anual das cem maiores publishers de software para computadores pessoais chamada Soft-letter 100. Aqui está o que o top 10 se parecia em 1984 [1].

Classificação Empresa Receita Bruta Anual
#1 Micropro International $60,000,000
#2 Microsoft Corp. $55,000,000
#3 Lotus $53,000,000
#4 Digital Research $45,000,000
#5 VisiCorp $43,000,000
#6 Ashton-Tate $35,000,000
#7 Peachtree $21,700,000
#8 MicroFocus $15,000,000
#9 Software Publishing $14,000,000
#10 Broderbund $13,000,000

Ok, Microsoft é a número 2, mas há um punhado de empresas com receitas anuais aproximadamente similares.

Agora vamos olhar a mesma lista para 2001.

Classificação Empresa Receita Bruta Anual
#1 Microsoft Corp. $23,845,000,000
#2 Adobe $1,266,378,000
#3 Novell $1,103,592,000
#4 Intuit $1,076,000,000
#5 Autodesk $926,324,000
#6 Symantec $790,153,000
#7 Network Associates $745,692,000
#8 Citrix $479,446,000
#9 Macromedia $295,997,000
#10 Great Plains $250,231,000

Pare. Observe, se você quiser, que todas as empresas exceto a Microsoft desapareceu do top 10. Também note, por favor, que a Microsoft é muito maior que a próxima maior empresa, não é nem engraçado. Adobe dobraria sua receita se eles apenas pudessem pegar o orçamento de refrigerante da Microsoft.

O mercado de software para computadores pessoais é a Microsoft. A receita bruta da Microsoft, ela se revela, compõe 69% da receita total de todas as empresas top 100 juntas.

Isto é o que nós estamos falando aqui.

Isto é apenas marketing superior, como nosso imaginário nerd proclama? Ou o resultado de um monopólio ilegal? (O que implora a questão: como a Microsoft conseguiu aquele monopólio? Você não pode ter os dois).

De acordo com Rick Chapman, a resposta é simples: a Microsoft foi a única empresa na lista que nunca fez um estúpido, erro fatal. Se isto foi por meio de poder cerebral superior ou apenas sorte estúpida, o maior erro a Microsoft fez foi o clipe de papel dançante. E quão mal era aquilo, realmente? Nós os ridularizamos, desligamos, e voltamos a usar Word, Excel, Outlook, e Internet Explorer a cada minuto de cada dia. Mas para cada outra empresa de software que tinha a liderança no mercado e a viu indo pelo ralo, você pode apontar a uma ou duas asneiras gigantes que guiou o navio ao iceberg. Micropro perdeu tempo reescrevendo a arquitetura de impressão ao invés de atualizar o seu mais importante produto, o Wordstar. A Lotus perdeu um ano e meio tentando forçar o 123 para rodar em máquinas de 640KB; quando eles acabaram Excel foi lançado e máquinas de 640KB era uma lembrança obscura. A Digital Research agressivamente cobrou demais pelo CP/M-86 e perdeu a chance de ser de-facto padrão para sistemas operacionais para PC. VisiCorp processaram eles mesmos até a extinção. Ashton-Tate nunca perdeu uma oportunidade para irritar os desenvolvedores do dBase, envenenando a frágil ecologia que é tão vital para o sucesso do vendedor de plataforma.

Eu sou um programador, claro, então eu tendo culpar as pessoas do marketing por esses erros estúpidos. Quase todos eles giram em torno de uma falha de pessoas de negócio não-técnicas para entender fatos tecnológicos básicos. Quando o empurrador-de-Pepsi John Sculley estava desenvolvendo o Apple Newton, ele não sabia o que todo estudante de ciências da computação sabe: reconhecimento de escrita não é possível. Isto era no mesmo tempo em que Bill Gates estava arrastando programadores em reuniões implorando para eles criarem um controle de edição de texto rico que pudesse ser reutilizados em todos seus produtos. Coloque Jim Manzi (o executivo que deixou os MBAs dominarem a Lotus) em uma reunião e ele estaria completamente confuso. “O que é um controle de edição de texto rico?” Nunca ocorreria a ele pegar a liderança tecnológica porque ele não “entendia completamente” (grok) a tecnologia; de fato, o próprio uso da palavra grok naquela sentença provavelmente o lançaria para fora.

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Se você me perguntar, eu sou parcial, nenhuma empresa de software pode ter sucesso a menos que haja um programador na direção. Até aqui a evidência me suporta. Mas muitos desses erros estúpidos vieram dos próprios programadores. A decisão monumental da Netscape de reescrever seu browser ao inves de melhorar o velho código custou-lhes vários anos de tempo de Internet, quando sua participação no mercado foi de cerca de 90% para aproximadamente 4%, e isso foi idéia de programadores. Claro, a gerência inexperiente e não-técnica daquela empresa não tinha idéia porque essa era uma má idéia. Ainda há um montão de programadores que defendem a reescrever completamente o Netscape. “O velho código era realmente horrível, Joel!” Sim, uh-huh. Tais programadores deveriam ser admirados pelo seu amor pelo código limpo, mas eles não deveriam ser permitidos dentro de 30 metros de qualquer decisão de negócios, já que é óbvio que código limpo é mais importante para eles que lançar, uh, software.

Então eu concederei ao Rick um pouco e direi que se você quer ser bem sucedido no negócio de software, você tem que ter uma equipe de administração que completamente entenda e ame programação, mas eles tem que entender e amar negócios também. Encontrar um líder com forte aptidão em ambas dimensões é difícil, mas é a única maneira de evitar um desses erros fatais que Rick amorosamente cataloga em seu livro. Então leia-o, leia-o, cacareje e se tem um estúpido administrando sua empresa, deixe seu currículo impecável e comece a procurar por uma casa em Redmond

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[1] Fonte: Soft*letter, Jeffrey Tarter ed., April 30, 2001, 17:11

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